Extra! Extra!
 
 

Talvez !

A velha história se repete indefinidamente e o interesse público acaba sempre em segundo plano...

Eu gostaria de dar por encerrado este assunto. Gostaria, ao menos, de dar por encerrada a minha participação na discussão deste tema, que parece ter os seus caminhos decididos há muito, em todas as instâncias do poder.
Talvez eu consiga!
Não há mais quem me convença a crer na estrutura do sistema republicano, essa cópia mal feita - como são todas as imitações que fazemos de nossos vizinhos do continente mais ao norte - século após século.
Agora, voltando ao tema que ocupa este espaço nos últimos anos, eu quero falar da frustração ou da tristeza que se abateu sobre mim, depois de ler a decisão do TJ paulista a respeito das “obras” dos “new bonds” e as justificativas sem sentido ou de pouca valia, que empobrecem a imagem daquele Poder de Estado.
Todavia, pior que isso é a desfaçatez de alguns agentes públicos, ao comentarem e ao justificarem os desmandos tão comuns com a coisa pública.
Não bastassem o aditamento de vinte e dois por cento, já feito inicialmente sobre o preço dessa obra e as inverídicas informações a respeito do custo diário da paralisação, que se estendeu por vinte dias - antes que o TJ cassasse a liminar concedida ao MP – agora, a empresa que responde pelo transporte urbano paulista tripudia sobre o bem senso de alguns de nós que ainda raciocinamos.
Neste momento eles dizem que precisam colocar mais duzentos e cinquenta homens atuando nessa “obra”, para compensar os cento e dez dias de interrupção, por conta de uma “janela” (que é como eles chamam o prestar informações devidas ao MP e ao TJ), como se os trabalhos tivessem sido interrompidos, quando o que realmente se viu foi a aceleração despropositada e indevida, a partir dos questionamentos feitos pelo MP.
Será que o objetivo desta nova facécia é obstar o recurso do MP ou será preparação de campo para um possível novo aditamento de contrato?
Sabe-se lá!
Só o tempo dirá...
Para cassar a liminar, o TJ usou - dentre outros possíveis argumentos - as audiências públicas e a “oportunidade” que ali foi dada para que se contestassem a obra e o seu traçado.
Você sabe, afinal eu já disse inúmeras vezes pela imprensa, por aqui e por outros caminhos da internet que, dentre as várias audiências públicas às quais compareci com a minha fantasia de cidadão-palhaço, estavam as do VLT.
E, com base nas experiências vividas, eu afirmo que essas “audiências públicas” são apenas a fachada emporcalhada com que os maus gestores dos bens da sociedade ludibriam ou constróem a opinião pública e até a privada.
Eu afirmo, convicto, que “audiências públicas” são fachadas, porque em nenhuma delas eu consegui ser parte atuante, fossem elas as da “mobilidade urbana”, as do VLT ou de alteração do Código de Edificações da cidade.
Entretanto, vamos nos ater apenas ao traçado equivocado dos “new bonds”, em um trecho da cidade de Santos; esse mesmo trecho que vem sendo inutilmente contestado até pelo Ministério Público.
Eu compareci às “audiências públicas”, eu questionei o traçado e solicitei justificativas para ele porque via, além dos entraves à mobilidade urbana, o envolvimento de segundos e de terceiros interesses. Entretanto, não houve “tempo hábil” para que me respondessem de público, ali, no auditório da UniSantos e foi então que eu percebi que a pergunta era incômoda e que eu seria tratado realmente como cidadão brasileiro, como um incômodo aos muitos interesses envolvidos no “negócio”.
Ali mesmo, na frente do escasso público, prometeram que todas as perguntas não respondidas seriam atendidas por correio eletrônico (e-mail). A minha não foi!
Persisti, insisti através da “rede”, através do sítio da EMTU, através da imprensa e até o momento não fui atendido.
Não serei atendido e isso nem mais importa, porque o resultado do jogo, percebe-se, já estava “acertado”; eu é que me iludo com esperanças vãs de seriedade na gestão dos bens públicos e no respeito ao erário.
Ainda nesta manhã, pouco antes de vir escrever estas linhas, eu li em um órgão de imprensa, que um dos grupos construtores que atua na cidade, já está anunciando e vendendo conjuntos comerciais com acesso - via passarela sobre avenida - para um “shopping” também construído por eles, como se a possível permissão para esse tipo de construção sobre as vias públicas já estivesse oficialmente decidida.
Isto dá uma dimensão da “bola de cristal” ou do poder de “convencimento” que têm alguns grupos sobre as decisões que afetam, nem sempre de forma positiva, a vida da maioria da população.
Aí, então, algumas pessoas acham que podem criticar a minha decisão de “aposentar” definitivamente o meu “título” de eleitor, porque o meu voto consciente pode fazer falta.
Talvez tenham razão, mas eu não creio.
Talvez este país ainda tenha jeito...
Talvez!
Afinal ainda se crê em milagres.
Carlos Gama. 02/02/2014 13:14:38

 

Os "New Bonds"

A título acima está em plena consonância com o que vem acontecendo por aqui...

Anteontem (08/01/2014) o Ministério Público de São Paulo ingressou com uma ação cautelar, com pedido de liminar, para embargar as obras no trecho do trajeto que saiu do traçado da linha da EFS, passando para o leito da avenida Francisco Glicério, gerando dentre outros inconvenientes e aumentos de custo, dois novos cruzamentos entre essa via e os trilhos a serem implantados.
Ontem (09/01/2014) o Poder Judiciário concedeu a liminar e determinou que a EMTU (organismo do governo do estado na área de transportes urbanos) apresente os cálculos de custo diário da paralisação por trechos, sob pena de pagamento de multa diária ao término do prazo concedido.
O magistrado tomou essa decisão, sem dúvida porque percebeu a “manobra” espúria do Secretário de Transportes do Estado para jogar a parte mais desavisada da população, contra a medida.
Ontem, o secretário fez uso de uma das armas mais comuns no arsenal da política (a MENTIRA) e em manifestação pela imprensa, afirmou que o custo da possível paralisação das obras seria de três milhões de reais diários, como se o embargo atingisse toda a extensão do traçado, quando o trecho a ser interditado tem menos de vinte por cento do percurso e esta parte da obra em si, só foi iniciada – a toque de caixa – depois dos questionamentos do MP.
Nós, embora tenhamos feito os mesmos questionamentos, por escrito, em audiência pública, nunca obtivemos resposta sobre os “porquês” da mudança no traçado original da EFS. Nem mesmo quando reiteramos a pergunta em várias ocasiões - por e-mail - obtivemos retorno. O desenho que acompanha este texto (logo abaixo) dá noções sobre algumas das razões para tanto empenho do poder público em manter a obra dentro desse traçado que pode ser considerado – no mínimo – equivocado.
Agora nos resta aguardar as ações e as pressões do governo do estado sobre o Poder Judiciário.
Oxalá este último referende a sua independência e sustente o princípio do bom senso aliado à justiça.

Carlos Gama.

10/01/2014 - 20:24:54

 

O Caos Geral

Observando cada pedaço desta terra abençoada com muitos quinhões, eu devo sempre dedicar um espaço específico para os maus bocados com que também é aquinhoada a terra de Brás Cubas, dos Andradas, de parte dos meus ancestrais e deste povinho que ora a habita e deixa que a vida se arraste sem mais preocupações que o arrebanhar lucros fáceis ou até escusos. Pobre terra, que em tempo breve, ainda soçobrará num mar de concreto e dejetos humanos (físicos e morais).
O povo, cada vez mais alheio às questões políticas, éticas e morais, tem como única preocupação o ato de “somar” e nesse seu alheamento das questões estruturais de uma raça, se deixa conduzir pelo inconsciente invadido, manipulado e elege e reelege representantes à altura, à altura de sua pouca estatura interior, gente que usa e abusa dos cargos e dos bens que são comuns a todos os indivíduos desta terra ou que silencia comodamente, quando deveria agir.
O projeto do "Bondão", que comentávamos e criticávamos aqui - há exatos cinco anos - por conta da ocupação do já exíguo espaço em avenidas como a Conselheiro Nébias, não somente acabou prosperando, mas foi mais além...Piorou, quando parecia impossível.
Em defesa de interesses particulares (de alguns grupos que já ditam as regras na cidade) e em detrimento do interesse público, os governos estadual e municipal optaram pela mudança no traçado do modal de transporte terrestre sobre trilhos (VLT), fugindo da lógica, do bom senso e da conduta ética que deveria nortear o gestor da coisa pública, como representante da população em geral e responsável direto por seu bem-estar.

 

Carlos Gama.
12 /12/2013 23:29:35

 

 

 

 

O Caos no Trânsito

Observador costumeiro e crítico (não por gosto), da Companhia de Engenharia de Tráfego santista, também tenho de observar as dificuldades operacionais que ela encontra para minimizar os problemas de trânsito e de transporte coletivo na cidade.
À parte a falta de boa vontade e de visão para algumas ações de mínimo esforço e custo quase zero, crescem todos os dias as dificuldades para administrar o caos no trânsito, por conta do acréscimo incontrolável do número de veículos em circulação, da falta de radares nos semáforos, da má qualidade do transporte coletivo (sem que o poder público aja para solver) e da pressa cotidiana dos condutores, em busca do ter ou pela falta do ser, que leva ao aumento das infrações.
Quando se fala em ausência de boa vontade administrativa, aborda-se principalmente a demora sem razão no reparo de sinais de trânsito, na ausência de proibição para o estacionamento nos dois lados de vias de trânsito mais intenso e um sem número de outras ações de baixo custo, que minimizariam as condições caóticas do trânsito na cidade.
A CET, em alguns momentos, é como o homem da empresa de mudanças, que tem de fazer passar um sofá de peça única, por uma porta mais estreita que qualquer de suas dimensões ou precisa colocar em uma quitinete, todos os móveis que acabou de retirar de um apartamento de dois quartos.
Impossível!
É assim que anda o trânsito por aqui: mal administrado, com mais veículos do que comportam as vias e boa parte deles conduzida por pessoas mal preparadas ou mal educadas.
Até para os milagres, o primeiro passo é a boa vontade de quem os espera.

Carlos Gama.
26/08/2010 13:29:35

 

A Nova Cara da Orla da Praia

Soube-se, neste final de semana, que um cidadão pediu o tombamento dos jardins da praia de Santos e, depois de nove anos, o tombamento agora é realidade; bendito cidadão, a quem não conheço. Agora, os jardins da praia têm dois padrinhos, dois defensores que se mostraram incansáveis: Vicente de Carvalho e João Gouveia.
Depois de nove anos de trâmite deste processo de tombamento, o prefeito da cidade diz ter sido pego de surpresa no processo. Haja alheamento, haja falta de assessoria... Haja!
Os jardins estão a salvo, mas foi por um triz, especialmente agora quando se põe a descoberto o projeto de modernização da orla da praia.
Diz o alcaide santista, que o processo de “modernização” da orla vai ser amplamente discutido publicamente e também com os permissionários dos quiosques; que tais discussões públicas não sejam feitas em redomas e sim com a participação popular. Afinal, dentre os do povo estão paisagistas de renome, arquitetos, engenheiros e até poetas. Sim, poetas. Por que não? Afinal, foi pela luta tenaz de um poeta, que temos esses belos jardins, pois o poeta cultiva o mais precioso dos bens legados pela Divindade ao homem: a alma. E esse cultivar da alma lhe confere visão ampla das belezas naturais e sensibilidade em relação a tudo o que o rodeia, especialmente à vida.
Que essas discussões sobre as mudanças nos jardins da praia, possam levar a resultados mais positivos; que não se volte ao quadro atual, quando, segundo o próprio prefeito, dos 99 quiosques que existem hoje, 39 estão inativos; ainda assim o novo projeto prevê a criação de mais 42 unidades. Essas áreas construídas e desocupadas, além de enfearem a paisagem e denegrirem a cidade, servem de abrigo a viciados e moradores de rua. Há tempo de sobra para rever projetos elaborados, antes que o prefeito tomasse conhecimento do pedido de tombamento dos jardins da praia, para que não haja a necessária intervenção do Ministério Público ou da SPU pois afinal, segundo o alcaide, o início das obras está previsto apenas para o outono de 2011. Que se discuta ampla e publicamente, não somente o projeto, mas se divulguem as imagens deste plano da nova orla. Que se estude a fundo todos os aspectos jurídicos (contratem-se empresas especializadas, se necessário), para que se evite incorrer nos mesmos erros, que hoje levam ao fechamento de 1/3 ou mais dos quiosques e até ao funcionamento dos inadimplentes, amparados por medidas judiciais. Que se revejam de forma séria e juridicamente corretas, o modelo de licitação pública das concessões, os prazos de vigência, as quebras contratuais e, principalmente a impossibilidade de transferência, cessão ou “repasse” dessas mesmas concessões, por seus permissionários, para que esse “mercado” não continue apenas como interessante “moeda de troca” ou caminho de enriquecimento ilícito de quem quer que seja.
Que esses novos quiosques, que terão 10 e 20 metros quadrados cada um (em contraposição aos atuais que têm apenas 5 metros quadrados), não tolham a nossa visão da natureza, como aconteceu com os dois píeres da Ponta da Praia, dos quais a prefeitura apresentou um projeto de uso público, para conseguir a concessão do governo federal e, depois o transmutou totalmente, a ponto de obrigar a interferência deste mesmo governo federal para reverter o “imbróglio” e cassar a cessão irregular a particulares. Que esses novos quiosques não nos dêem a impressão ou se transformem efetivamente em um paredão separando os jardins e o mar.
Que esta “nova cara” da orla da praia não seja como o rosto do palhaço em dia de chuva, quando as tintas escorrem pela face, conferindo-lhe um aspecto de tristeza e de abandono.

Carlos Gama.
13/07/2010 11:30:03

Matérias Anteriores:

Em duas funções extraordinárias (neste finalzinho de 2008), convocadas pelo dono da lona, o circo legislativo apresentará alguns quadros novos e, dentre eles, a “dança do asfalto”, cujo objetivo mais provável será a alteração do sistema viário, talvez quebrando recém construídas ciclovias, para atender ao interesse de fabricantes de bondes estrangeiros, como inversamente aconteceu, há quase quarenta anos, quando a “influência” era dos fabricantes de ônibus diesel.
A imprensa local divulga, hoje, uma estatística (leia sobre estatísticas no site destempero) que nos dá conta do aumento de 160% (entre 2000 e 2007) nos acidentes com motociclistas, tendo vítimas fatais. Há alguns dias, também numa estatística, lia-se sobre o aumento de 455% na frota de motocicletas, nos dois últimos anos. Estatísticas...ora, as estatísticas.
Numa entrevista havida no programa Canal Aberto, da TV.COM, o entrevistador questionou o senhor alcaide santista, a respeito do estreitamento de vias importantes para a implantação do VLT (Vai Levar Tombo).
O velho bonde, maquiado e ampliado, que já ganha nas ruas o apelido de “Bondão”, é o mais novo caminho das permanentes e discutíveis “obras” municipais. Em sua resposta vazia, o representante da maioria da população santista disse que o mesmo espaço ocupado pelos bondes (ele reconheceu que será um bonde modernizado) também poderá ser usado pelos veículos automotores (como acontecia antigamente). Trilhos de ferro, provocando derrapagens, cortando pneus e, pior, ocasionando todos os tombos e acidentes que ainda faltam aos motociclistas.
Vamos exigir uma consulta pública a respeito desta “modernização” do transporte coletivo.
Vamos dizer não ao “Bondão” do prefeito.

Carlos Gama.
10/12/2008 09:31:29

* Este texto, que poderia fazer parte do conteúdo de Cidade, Política, Trânsito, Serviços e, até, de "Obras", ficará temporariamente como abertura do sítio, devido à sua importância em relação ao futuro da cidade e de sua qualidade de vida, mesmo que isto não importe à maioria da população.

 

12/12/2008 13:01:01

Também em sessões "extras e ordinárias", os "lambe-lambe" aprovaram o aumento de 28% nos salários do prefeito, a partir de janeiro (até parece a situação de outros funcionários públicos e de aposentados do INSS). O Executivo está aproveitando a não reeleição de alguns correligionários e barganhando aprovações de última hora por possíveis cargos de confiança no próximo ano. Some-se a isto a preocupação com a possível redução do cordão dos "puxa-saco".
Razão maior não há para a dotação de 25 milhões para a CET e o aumento de 10 milhões no capital social da Prodesan (querem apostar que esses valores serão investidos na criação de novos cargos de ASPONES e que, vereadores não reeleitos serão “aproveitados” em cargos de “confiança”?).

Notícia também veiculada, hoje, na imprensa local nos dá conta de que a FAMS (Fundação Arquivo e Memória de Santos) oficializará sua adesão ao projeto Memória Revelada, do Arquivo Nacional, com o intuito de "revelar" importantes episódios havidos durante a ditadura militar. Vamos ver se vão falar de política e de "adesões" interesseiras, que são sobejamente conhecidas por quem não faz uso do silêncio covarde ou ganancioso. Que venha à tona a verdadeira memória política da Santos das últimas décadas, pois a história carece de um pouco de veracidade.
Nós duvidamos do resultado.